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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022


 Chávena e pires 

Porcelana decorada a 

azul, vermelho-ferro e ouro 

China, dinastia Qing, reinado Qianlong (1736-1795), c. 1790


Chávena e pires de chá em porcelana branca pintada a azul sob vidrado e esmalte vermelho-ferro e ouro sobre vidrado. Chávena de paredes arredondadas, asa em “C” com pequena saliência no topo para apoio do polegar e pires de formato circular e covo. Ambos apresentam idêntica decoração, marcada por barra larga, circundando as bordas entre filetes azuis, com motivo encanastrado dourado servindo de fundo aos raminhos de flores variadas, azuis. A barra é rematada inferiormente por um alinhamento de motivos em “C”, dourados, entremeado de pontilhados azuis. A orla no interior da chávena e a caldeira do pires apresentam a mesma cercadura composta por filete vermelho-ferro entrelaçado com meandro de folhas azuis e douradas, alternadas e pontilhados também a dourado. Um singelo ramo florido azul, contornado a dourado, ocupa o centro do pires e a parede exterior da chávena, frente à asa. Estas duas peças integram um serviço de chá, de que restam 11 chávenas, 13 pires e duas taças, de dimensões ligeiramente inferiores às das chávenas.

Os serviços de chá tornam-se populares a partir do final do século 17, quando esta bebida, de início consumida apenas para fins medicinais, passa a ser apreciada e se populariza na Europa. Os portugueses serão os primeiros a conhecer o chá, no século 16, mas o seu comércio para o Ocidente foi empreendido pelos holandeses, cuja primeira remessa remonta a 1606 e que a partir de 1637 começa a ser transportando com regularidade. Centrado em Amsterdão o mercado do chá, rapidamente se difunde pela França, Alemanha e a Inglaterra, onde na segunda metade do século 17 era servido nas “coffee-houses”, em salas à parte destinadas às senhoras. De 1730 a 1760 decorre o período áureo deste comércio, na altura dominado pelos ingleses e, naturalmente, aumenta também a procura e encomenda dos serviços de chá em porcelana para servir e degustar a bebida.  

A porcelana revela-se o material mais adequado para o consumo das novas bebidas quentes, como o chá, o café e o chocolate, pelas suas propriedades de má condução do calor, porque não interfere com o sabor do conteúdo, é de fácil limpeza e, ainda, pela sua beleza e brilho convive bem com as baixelas de prata. Conjuntos em porcelana chegam mesmo a substituir baixelas, mandadas fundir por alguns monarcas europeus em tempos de guerra. A adoção de serviços de porcelana pelas casas reais, leva à generalização do seu uso pela nobreza e burguesia endinheirada e na encomenda dos grandes serviços de mesa, surgem integrados os conjuntos para chá, café e chocolate, se bem que estes também podiam ser encomendados em separado. Um serviço de chá compreendia normalmente o bule, o frasco de chá, a leiteira, o açucareiro com tampa, a taça para resíduos, pequenas travessas para o bule e para a colher, as chávenas de chá e respetivos pires e muitas vezes chávenas de café, mas neste caso, era habitual um só lote de pires servir para os dois tipos de chávenas. 

Inicialmente as taças de chá exportadas para a Europa eram idênticas às usadas na China e serviam para diferentes bebidas quentes, nomeadamente para o café. Depois, aos poucos, as formas vão-se diferenciando, adaptando-se às diferentes características de cada bebida. Assim tal como na China e no Japão, de início essas taças não tinham pires associados, a produção de chávenas com pires associados generalizou-se, apenas na porcelana destinada à exportação e por influência turca ou islâmica. Entre 1660 e 1663, os pires constavam apenas esporadicamente e avulsos nas listas de carregamentos de porcelana japonesa com destino à Holanda, mas a partir de 1680 passam a surgir regularmente associados a chávenas a condizer. Não é certo quando as taças de chá passaram a ser substituídas por chávenas com asa, elas começam a ser comuns nos fornecimentos chineses do século 18, muito embora ambas as tipologias tenham coexistido durante algum tempo. Também é notório o aumento gradual do tamanho das chávenas, resultante provavelmente do hábito europeu de adicionar água ou leite ao chá. 


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Aom almoço!!

 1 de fevereiro | Ano Novo Chinês - Ano do Tigre



Serviço de jantar (brasão dos Magalhães de Barros e Lançós). Porcelana. China, séc. 19.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

CORES QUE FAZEM SENTIDO - azul índigo


 Jarro

Faiança, moldagem

Fábrica Sant'Anna

Lisboa, Portugal, ca. 1940-1970

Conhece esta personagem de caneca na mão e casaco comprido de um belo tom de AZUL? É Toby Philpot o homem que bebia em excesso e cujos restos se tornaram o barro, usado num jarro de cerveja. 

Jarro antropomórfico em faiança polícroma. Representa uma figura masculina de pé, de grandes olhos, boca entreaberta, bigode mal aparado e cabelos ondulados castanhos. Veste casaco azul comprido, repleto de botões amarelos, calças claras, colete amarelo abotoado na frente e laço ao pescoço da mesma cor. Usa botas castanhas, pelo joelho e um chapéu tricórnio na cabeça. Segura na mão na direita um pequeno jarro castanho e na esquerda um bastão. O bico do jarro é formado pela dobra frontal da aba do chapéu e a asa, em curva e contracurva, implanta-se nas costas, pintada de amarelo.

Apesar de se conhecerem tipologias parecidas anteriores, com um homem sentado, corpulento e bonacheirão, em faiança de Delft, na Holanda, e por sua vez reproduzidas em porcelana de encomenda proveniente da China e do Japão, no século 18, este jarro deriva do modelo inglês, designado Toby Jug. Popular a partir de 1760, representava então um homem, de feições alegres, sentado, de caneca nas mãos. Trajada à época, a figura surgia de casaco comprido, com bolsos, colete, lenço ao pescoço, calções, sapatos de fivela e chapéu de três pontas (tricórnio), servindo uma delas de bico por onde o líquido era vertido. 

Não é certa a origem do nome Toby, mas a maioria defende tratar-se de Toby Philpot (ou Fillpot), alcunha derivada de “fill-pot” atribuída a Henry ou Harry Elwes, um corpulento e afamado bêbado, falecido em 1761, que se dizia ter bebido cerca de 9000 litros de cerveja.  Toby Philpot foi tema de uma canção popular, da autoria do Reverendo Francis Fawkes (1721-1777), publicada em 1761 com o título “Brown Jug” e que contava a história de como o enorme corpo Philpot, após sepultado, se tornara o barro aproveitado por um oleiro para modelar um jarro castanho, o qual, para júbilo da sua alma sedenta, era usado para servir cerveja. Ajudou ainda à disseminação deste modelo a edição da gravura “Toby Phillpot” por Carington Bowles (1724-1793), representando uma alegre e barriguda personagem, sentada, erguendo um jarro numa das mãos e segurando um cachimbo na outra. 

A produção dos primeiros Toby Jugs está associada a Ralph Wood I (1715-72), oleiro de Staffordshire, e ao seu filho Ralph Wood II (1748-95), mas a forma popularizou-se ao longo dos séculos 18 e 19, sendo reproduzida com imensas variações em praticamente todas as fábricas de cerâmica inglesas. Nos bares e tabernas, este tipo de jarro servia para recolher a cerveja do barril, enquanto que a copa amovível do tricórnio era o recipiente usado para bebê-la.

A produção dos Toby Jugs alastrou-se por diversos países da Europa, entre os quais Portugal, como atesta este exemplar realizado na Fábrica Sant’Anna, no século 20, provavelmente entre os anos de 1940 e 1970. Esta fábrica teve a sua origem numa pequena olaria, fundada na zona de Sant’Anna, à Lapa, em Lisboa, corria o ano de 1741. A sua produção inicial caracterizava-se essencialmente pela produção de objetos utilitários em barro vermelho, não decorado e será após o terramoto de 1755, face à crescente e urgente procura de azulejos, mais acessíveis do que a pedra, que se terá virado para o fabrico destes revestimentos e depois de faiança pintada à mão. Entre 1930 e 1931 a fábrica transferiu-se para a Rua da Junqueira e mais tarde, nos anos 40, para a Calçada da Boa Hora, onde ainda continua a laborar, sempre fiel às mais antigas técnicas artesanais, produzindo azulejos, bem como cerâmica tradicional e decorativa.


segunda-feira, 28 de junho de 2021

CORES QUE FAZEM SENTIDO - azul índigo

 

Chávena e pires

Porcelana decorada a

azul, vermelho-ferro e ouro

China, dinastia Qing, reinado Qianlong (1736-1795), c. 1790


Uma pausa para o chá? Numa chávena onde o AZUL impacta tanto quanto o ouro, só como deve ser, com etiqueta e requinte!

Chávena e pires de chá em porcelana branca pintada a azul sob vidrado e esmalte vermelho-ferro e ouro sobre vidrado. Chávena de paredes arredondadas, asa em “C” com pequena saliência no topo para apoio do polegar e pires de formato circular e covo. Ambos apresentam idêntica decoração, marcada por barra larga, circundando as bordas entre filetes azuis, com motivo encanastrado dourado servindo de fundo aos raminhos de flores variadas, azuis. A barra é rematada inferiormente por um alinhamento de motivos em “C”, dourados, entremeado de pontilhados azuis. A orla no interior da chávena e a caldeira do pires apresentam a mesma cercadura composta por filete vermelho-ferro entrelaçado com meandro de folhas azuis e douradas, alternadas e pontilhados também a dourado. Um singelo ramo florido azul, contornado a dourado, ocupa o centro do pires e a parede exterior da chávena, frente à asa. Estas duas peças integram um serviço de chá, de que restam 11 chávenas, 13 pires e duas taças, de dimensões ligeiramente inferiores às das chávenas.

Os serviços de chá tornam-se populares a partir do final do século 17, quando esta bebida, de início consumida apenas para fins medicinais, passa a ser apreciada e se populariza na Europa. Os portugueses serão os primeiros a conhecer o chá, no século 16, mas o seu comércio para o Ocidente foi empreendido pelos holandeses, cuja primeira remessa remonta a 1606 e que a partir de 1637 começa a ser transportando com regularidade. Centrado em Amsterdão o mercado do chá, rapidamente se difunde pela França, Alemanha e a Inglaterra, onde na segunda metade do século 17 era servido nas “coffee-houses”, em salas à parte destinadas às senhoras. De 1730 a 1760 decorre o período áureo deste comércio, na altura dominado pelos ingleses e, naturalmente, aumenta também a procura e encomenda dos serviços de chá em porcelana para servir e degustar a bebida.

A porcelana revela-se o material mais adequado para o consumo das novas bebidas quentes, como o chá, o café e o chocolate, pelas suas propriedades de má condução do calor, porque não interfere com o sabor do conteúdo, é de fácil limpeza e, ainda, pela sua beleza e brilho convive bem com as baixelas de prata. Conjuntos em porcelana chegam mesmo a substituir baixelas, mandadas fundir por alguns monarcas europeus em tempos de guerra. A adoção de serviços de porcelana pelas casas reais, leva à generalização do seu uso pela nobreza e burguesia endinheirada e na encomenda dos grandes serviços de mesa, surgem integrados os conjuntos para chá, café e chocolate, se bem que estes também podiam ser encomendados em separado. Um serviço de chá compreendia normalmente o bule, o frasco de chá, a leiteira, o açucareiro com tampa, a taça para resíduos, pequenas travessas para o bule para a colher, as chávenas de chá e respetivos pires e muitas vezes chávenas de café, mas neste caso, era habitual um só lote de pires servir para os dois tipos de chávenas.

Inicialmente as taças de chá exportadas para a Europa eram idênticas às usadas na China e serviam para diferentes bebidas quentes, nomeadamente para o café. Depois, aos poucos, as formas vão-se diferenciando, adaptando-se às diferentes características de cada bebida. Assim tal como na China e no Japão, de início essas taças não tinham pires associados, a produção de chávenas com pires associados generalizou-se, apenas na porcelana destinada à exportação e por influência turca ou islâmica. Entre 1660 e 1663, os pires constavam apenas esporadicamente e avulsos nas listas de carregamentos de porcelana japonesa com destino à Holanda, mas a partir de 1680 passam a surgir regularmente associados a chávenas a condizer. Não é certo quando as taças de chá passaram a ser substituídas por chávenas com asa, elas começam a ser comuns nos fornecimentos chineses do século 18, muito embora ambas as tipologias tenham coexistido durante algum tempo. Também é notório o aumento gradual do tamanho das chávenas, resultante provavelmente do hábito europeu de adicionar água ou leite ao chá. 

segunda-feira, 21 de junho de 2021

CORES QUE FAZEM SENTIDO - azul índigo

 

Gomis (par)

Porcelana branca pintada a azul-cobalto sob vidrado

China, dinastia Qing, reinado Kangxi, 1662-1722

Elegantes, delicadas, de matéria imaculada e AZUL deslumbrante, estas peças seriam o máximo do requinte nas mesas europeias dos inícios do século 18. 

Par de pequenos gomis em porcelana branca, pintada a azul sob vidrado. Apresentam o corpo em forma de pera, gargalo alto, cintado e longo bico encurvado. As bases, com ligeiro relevo, estão pintadas com pétalas de lótus imbricadas, os bojos são gomados, decorados com ramagens de flores variadas e os ombros preenchidos com uma cercadura de óvulos seguida de outra com fita em ziguezague, formando triângulos. Os gargalos exibem hastes floridas dispostas em bandas espiraladas e os bicos, que arrancam de uma cabeça de monstro, estão pintados com motivos de nuvens dispersas. Não têm asa, mas originalmente teriam uma tampa associada.

Por definição gomis são jarros bojudos e de boca estreita destinados a conter água para lavagem das mãos e por esse motivo estão muitas vezes associados a bacias que recolhem a água por eles vertida. Apesar do seu formato de gomil, é pouco provável que este conjunto de pequenas dimensões, não ultrapassando os 14,5 centímetros de altura, se destinasse a abluções, deveria antes assumir a função das galhetas usadas em serviços religiosos, ou em uso doméstico, para servir azeite e vinagre às refeições, à maneira dos atuais galheteiros.        

As galhetas usadas nas missas eram normalmente encomendadas aos pares e destinavam-se à água e ao vinho que se misturam no cálice durante o cerimonial litúrgico. Por outro lado, nas mesas a sua existência está documentada desde cerca de 1664. Os conjuntos para condimentos, cuja origem está associada aos franceses, poderiam incluir para além do prato de suporte, 2, 4 ou 6 peças, entre recipientes para azeite e vinagre, outros destinados à mostarda, bem como polvilhadores de sal e pimenta, que nesse caso não apresentavam bico, mas tampas perfuradas, fixas com fechos adaptados. Em alguns casos incluem também um açucareiro. No Oriente os primeiros exemplares foram encomendados pelos holandeses ao Japão, que enviavam modelos em faiança de Delft para serem copiados. Existem galhetas dessa origem, marcadas com as iniciais O para “olie” (azeite), A para “azijn” (vinagre), o “S” ou “Z” para molho soja ou zoja e por vezes ainda L “limoen” (limão), condimento usado à mesa na Holanda. 

Na China os mais antigos conjuntos destinados à Europa datam do final do século 17, provavelmente de um período posterior a 1683, altura em que se intensificou o comércio da porcelana e cresceu a procura de formas ocidentais, de modo que vários fornos de Zingdzhen, o principal centro de fabrico no sul da China, se especializaram na produção para exportação, a dita porcelana de encomenda. A maioria dos conjuntos para especiarias ou condimentos foi produzida entre 1730 e 1764, sendo raros os que se mantêm completos até aos dias de hoje. Talvez porque não foram objeto de muitas encomendas por serem considerados demasiado caros, ou simplesmente porque se partiram, ou dispersaram ao longo dos anos e sucessivas partilhas.


sábado, 5 de junho de 2021

CORES QUE FAZEM SENTIDO - azul ciano

 

Prato

Faiança, decoração estampada “Northern Scenery” John Meir & Son, Inglaterra, 1838-1897



Que tal velejar pelos lagos da Escócia ao jantar? Para tal basta divagar através das cenas representadas no serviço “Northern Scenery”, cuja decoração central se baseia em paisagens de lagos e castelos escoceses. 

No início do século 19, verifica-se uma enorme apetência pela literatura de viagens repleta de gravuras de locais exóticos e de paragens longínquas. Ao culto da paisagem e do pitoresco, alia-se na Grã Bretanha um patriotismo crescente de um Império em expansão e, face ao período conturbado das Guerras Napoleónicas e à maior dificuldade em viajar pela Europa, multiplicam-se os livros que retratam e enaltecem a beleza e os monumentos britânicos. Esta tendência é desde logo atentamente acompanhada pela indústria cerâmica, cujos fabricantes lançam para o mercado inúmeros serviços decorados com séries de paisagens. Mantém-se a predominância do azul e branco, atestando ainda a influência da tradicional porcelana chinesa, mas agora a decoração é de temática e gosto genuinamente europeus. Este prato pertence a um serviço de mesa que atesta bem esta moda, cujo período áureo decorreu entre os anos de 1815 e 1840, começando gradualmente a decair a partir de 1842, altura em que é aprovada nova legislação de direitos de autor que decreta a ilegalidade da cópia das ilustrações de livros. 

O serviço, que originalmente seria destinado a 12 pessoas, é hoje composto por 75 peças, entre pratos de sopa, rasos, de sobremesa e de pão, terrinas e respetivas conchas, travessas diversas, saladeira, pratos cobertos, prato com pé e molheiras. A série do padrão “Northern Scenery”, baseia-se num conjunto de gravuras, publicadas em Londres, em 1838, no 2º volume de “Scotland Illustrated”, de William Beattie (1793-1875). Neste conjunto foram identificadas 13 panorâmicas diferentes, todas constantes da dita publicação. São elas: “Loch Oich. Invergarry Castle”, “Kilchurn Castle. Loch Awe”, “Loch Lomond”, “Loch Creran with Barcaldine Castle”, “Dunolly Castle near Oban”, “Loch Awe”, “Loch Linnhe Looking South”, “Dunkeld. Perthshire”, “Pass of the Trossachs Loch Katrine”, “Loch Katrine looking towards Ellen’s Isle”, “Loch Leven Looking towards Ballahuish Ferry”, “Loch Achray” e “Loch Lomond [Sth Wst] View”.

Este é um prato raso de formato circular, aba de recorte ondeado, ligeiramente inclinada para o interior, em faiança branca estampada a azul-claro. Apresenta a paisagem “Loch Oich. Invergarry Castle” no fundo da caldeira, envolta por uma cercadura de finos pináculos. Trata-se de uma visão romântica do lago Oich, com montanhas e nuvens ao fundo, barcos a navegar placidamente por entre as margens verdejantes e as ruínas do castelo de Invergarry destacadas à direita. A aba é densamente decorada com ramalhetes de flores inscritos em reservas ondeadas, emolduradas por folhas de acanto e intercaladas por motivos em pinha de orla lobulada com flores, sobre fundo azul florido rematado exteriormente por cercadura de motivos em círculo e triangulares, alternados. 

A marca, impressa a azul no reverso das peças, é constituída por um escudo oval, coroado, com o nome da série “Northern Scenery” inscrito e ladeado por leão e unicórnio. Na zona inferior exibe uma decoração floral e a filactera ondulante, com as iniciais do fabricante “J. M.& S.” e o título da vista em itálico, por baixo.

John Meir & Son é uma empresa de Tunstall, em Staffordshire, Inglaterra, originária na John Meir que laborou entre 1812 e 1836, e que a partir de 1837 e até 1897 assume esta nova designação, passando a integrar na sua marca as iniciais J. M. & S. ou I. M. & S. Muito virada para a exportação, dedica-se especialmente à produção de cerâmica estampada, maioritariamente a azul, de inspiração romântica, sendo este padrão dedicado às paisagens da Escócia um dos que mais se popularizou.


segunda-feira, 24 de maio de 2021

CORES QUE FAZEM SENTIDO - verde


Travessa

Manuel Cipriano Gomes “O Mafra”

(Mafra,1831 – Caldas da Rainha,1905)

Faiança

Portugal, Caldas da Rainha, 1870-1897


Quem deixou entrar este lagarto VERDE! O facto é que ele entrou mesmo e ficou imóvel tentando passar despercebido em cima da travessa de folhas da mesma cor! Nunca mais o conseguimos afugentar.

É realmente realista a representação deste lagarto sobre uma cama de folhas de figueira. Trata-se de uma travessa decorativa de formato oval e côncavo, com o bordo recortado e pega castanha simulando o ramo da figueira. É realizada em faiança moldada revestida por belos esmaltes em tons de verde, castanho e subtis apontamentos de azul e amarelo.

Dentro da intensa representação da fauna e da flora usada por Manuel Mafra, os pratos e as travessas simples no formato de folhas já eram comuns na sua produção inicial, claramente inspirada na cerâmica inglesa. Preferia as folhas de hera, de videira, de louro, de sobreiro e de couve, perfeitamente modeladas e simplesmente vidradas numa belíssima cor verde. No tocante aos répteis e anfíbios, de produção posterior, entre cobras, salamandras e rãs, dominam os lagartos e os sardões, representados a verde e castanho, pontualmente manchados de azul e amarelo.

Este exemplar representativo da louça da Caldas da Rainha, foi executado precisamente pelo referido Manuel Mafra, ceramista inovador responsável pela introdução deste tipo de decoração naturalista na cerâmica da região. Manuel Cipriano Gomes, o “Mafra” nasceu a 30 de agosto de 1831 no lugar do Sobreiro, freguesia de Santo André, em Mafra. Era filho de um oleiro, com quem se iniciou nas artes do barro e tinha cerca de 20 anos quando se mudou para as Caldas da Rainha. Não demorou a ser integrado na olaria de Maria dos Cacos, a mais ativa à época, na produção de cerâmica utilitária, vendida nas feiras e que se distingue pelas características artísticas de alguns dos seus modelos, como vasilhame diverso, castiçais, garrafas, paliteiros em forma de mulheres, homens ou animais. Desde logo Manuel, chamado “o Mafra” pela sua terra natal, destaca-se como o mais hábil dos operários, acabando por adquirir a oficina, em 1853. Inicia então uma fase de inovação, alargando a policromia tradicional, adotando novos e mais elaborados modelos, optando por decorações relevadas com motivos da fauna e da flora, introduzindo novas técnicas decorativas como os areados e musgados que enriquecem e tornam única a sua produção.

Em 1860, Manuel Mafra abre uma nova oficina a “Fábrica de Louça de Caldas”, onde trabalharam, para além do próprio, vários familiares e outros operários, produzindo loiça manufaturada, artesanal, de grande apuro técnico, decoração exuberante e original. Gozou da proteção do rei consorte D. Fernando II (1816-1885), grande apreciador da cerâmica caldense e que lhe adquiria peças desde os tempos de Maria dos Cacos. Este reconhecimento garantiu-lhe clientela abastada. Proporcionou-lhe também a convivência com artistas e colecionadores, o contacto com as coleções reais, o que lhe apurou o gosto e a sensibilidade para uma estética Romântica, naturalista, inspirada no estilo de Bernard Palissy (1510-1590). Este ceramista francês, do século 16, célebre pelas suas peças moldadas a partir dos próprios animais, representava repteis, batráquios e peixes no seu ambiente natural; foi recuperado no século 19, período eclético caraterizado pelos múltiplos revivalismos. O Neopalissismo será uma dessas vertentes, seguida por sucessivos artistas franceses e ingleses, fortemente difundida e apreciada nas feiras internacionais, onde a partir de 1867 Manuel Mafra participa regularmente e cujas peças, de qualidade reconhecida, são elogiadas e por diversas vezes premiadas, entre 1871 e 1879.

Manuel Mafra será o primeiro ceramista das Caldas a marcar as suas peças e a partir de 1870, perante a quantidade de aquisições de D. Fernando, é autorizado a usar a designação de Fornecedor da Casa Real, sinal de qualidade e prestígio que lhe permite ostentar com orgulho a coroa na sua marca. No entanto, a partir da década de 80, motivos vários ditam a decadência da fábrica. São eles a morte do seu real patrono, em 1885, a ascensão do genial ceramista Rafael Bordalo Pinheiro estabelecido nas Caldas, a falta de um continuador à altura, a idade avançada e, ainda, a natural evolução dos gostos e a busca de novos modelos. A situação agrava-se quando deixa a direção, em 1887, acabando por encerrar definitivamente em 1897, alguns anos antes da sua morte, ocorrida a 12 de dezembro de 1905.

domingo, 16 de maio de 2021

CORES QUE FAZEM SENTIDO - amarelo

 

Garrafa de licor

Faiança

França, Sarreguemines, 1908

Quanto custa levantar uma pera AMARELA? Será que o amarelo apetecível da pera madura tem um valor acrescido? O melhor é perguntar ao fininho que há anos tenta e não consegue erguer, nem um milímetro. Esta garrafa, ou jarro, servia para o licor, provavelmente de pera.

É um modelo antropomórfico e representa um homem muito magro, tentando erguer uma pera. O volume do fruto é desproporcional à figura, a qual se mostra de queixo apoiado, pernas fletidas e braços esticados envolvendo a pera. O corpo arqueado forma a asa e o chapéu cinzento o gargalo. 

Realizada em cerâmica, designada majólica, este termo está associado à faiança italiana do século 15, revestida de vidrado estanífero pintado a cru e posteriormente coberto por um denso vidrado transparente de óxido de chumbo mas, a partir do século 19, é também utilizado para designar os objetos, sobretudo decorativos, de faiança fina, revestidos com espessos e luzidios esmaltes estaníferos coloridos, de aparência muito semelhante aos antigos. A majólica é desenvolvida, nos meados do século 19, nas oficinas de Staffordshire e especialmente em Minton, que produziu vistosos e belíssimos exemplares de cerâmica moldada. Introduzida em Sarreguemines por Paul Geiger, em 1870, tornou-se uma das suas mais icónicas produções, contribuindo para o seu prestígio dentro e fora de portas. Também em Portugal nesta mesma altura as peças de majólica das Caldas da Rainha atingiram grande popularidade, especialmente as do nosso imbatível Rafael Bordalo Pinheiro cuja criatividade, irreverência e humor, se enquadram num gosto muito próximo ao deste exemplar, datado de 1908. 

A fábrica de cerâmica Sarreguemines, situada na localidade do mesmo nome, na Lorena, em França, junto à fronteira alemã, foi fundada, em 1790, pelos irmãos Nicolas e Augustin  Jacoby e por Joseph Fabry.  A partir de 1799 Paul Utzschneider, alemão, natural da Baviera, entra na sociedade adquirindo as quotas dos irmãos Jacoby. Para a fábrica é o início de um período de grande desenvolvimento e modernização, em que se adotam novas pastas e técnicas, e o processo acaba favorecido pelo bloqueio de Inglaterra que era então a principal fornecedora de cerâmica europeia e pelas encomendas de Napoleão Bonaparte I, que ajudam a impulsionar as vendas. Ao longo do século 19, sob a direção de Alexandre Geiger, genro e conterrâneo de Utzschneidede, e depois do seu filho Paul Geiger, acelera-se o processo de industrialização e de expansão da fábrica, que se converte numa das principais produtoras francesas de loiça utilitária, decorativa e azulejos. Após o conflito franco-prussiano, em 1871, a zona da fábrica fica afeta ao lado alemão e, com o intuito de manter o mercado francês e de evitar as taxas aduaneiras, são construídas duas sucursais em França, em Digoin em 1877 e em Vitry-le-François, em 1871. No início do século 20 consagra-se como uma das principais fornecedoras de cerâmica da Europa, especializada em serviços de mesa, peças decorativas, loiças sanitárias, de higiene e de cerâmica de revestimento, para fogões de sala e paredes. Em 1920 Sarreguemines e as suas filiais voltam a unir-se sob a direção de Edouard Casal, mas em 1940, os alemães ocupam de novo a Lorena e a sua gestão é confiada Luitwin von Boch, ligado à firma alemã Villeroy et Boch. O pós-guerra é difícil, com grande parte do complexo industrial destruído pelos bombardeamentos, Sarreguemines mantém-se em laboração sob a direção da família Cazal, até 1978. Nos anos seguintes é adquirida por diferentes grupos continuando uma marca destacada entre as principais fabricantes francesas, mas a partir de 1982 limita a sua produção à cerâmica de revestimento, nomeadamente aos azulejos, acabando por fechar definitivamente em 2007. 


sábado, 15 de maio de 2021

CORES QUE FAZEM SENTIDO - amarelo

 

Caneca

Barro vidrado

Rosa Ramalho (Galegos, 1888- Galegos,1977)

Barcelos, Portugal, séc. 20


De forma inesperada e da cor do trigo maduro, AMARELO quente e luminoso, esta caneca antropomórfica é claramente um objeto decorativo. Tem formato cilíndrico e asa de perfil em C. Apresenta um rosto masculino, com bigode, barbicha, nariz e orelhas salientes e a assinatura “RR” bem visível, incisa, junto à base. Estas iniciais identificam a autora, Rosa Barbosa Lopes, mais conhecida por Rosa Ramalho ou “Ramalha”. Nascida na freguesia de Santa Maria de Galegos, em Barcelos, a 14 de agosto de 1888, era filha de uma tecedeira e de um sapateiro, cuja alcunha “Ramalho” herdou. Aprendeu a fazer figurado de barro ainda menina, em casa de uma vizinha, mas torna-se moleira aos 18 anos, adotando a atividade do marido, António Mota. Só 50 anos volvidos, já viúva e com os filhos criados, regressa ao figurado de barro. Atividade tendencialmente feminina, uma vez que só os homens se sentavam na roda de oleiro para fabricar objetos utilitários. Nessa altura o figurado ou bonecagem, era moldado a partir de sobras das olarias e estava vulgarmente associado a apitos ou a paliteiros. 

As suas primeiras peças são em barro não vidrado, pintado com tintas não cerâmicas, nas cores vermelho, verde e azul, ou simplesmente, sem qualquer pintura. Depois trabalha o barro vidrado a uma só cor, usa sobretudo o castanho mel, mas também o verde e o amarelo, como neste caso. Eram usados os vidrados de chumbo coloridos com óxidos, de ferro para obter as cores amarela e castanho-melada, e de cobre para o verde. 

Inspirada nas histórias ouvidas em criança, cria um mundo de figuras diabólicas, com diabos para todos os gostos, seres fantásticos ou imaginários, onde abundam sereias, bichos-homens e medusas. Apresenta também a sua visão terrena, retratando personagens populares nas suas lides quotidianas, como músicos, carros de bois, matança do porco e diversos animais, cabras, porcos, lagartos, sardões, pombas, galos e galinhas. Aventura-se mesmo na representação sacra de temas da vida de Cristo, da Virgem e dos Santos. Vende o seu figurado nas feiras e nas festas populares e o seu trabalho chama a atenção. Se bem que inspirado nas raízes ancestrais da tradição oleira dos bonequeiros de Barcelos, mostra rasgos de originalidade e de criatividade nunca vistos.  

Será o pintor António Quadros, atento à sua produção, o primeiro a divulgá-la na Escola Superior de Belas Artes, do Porto, onde lecionava, e através de uma exposição coletiva na Galeria Alvarez, também no Porto, em 1956. A partir de 1958 Rosa Ramalho, analfabeta, começa a usar o monograma RR para identificar as suas peças, no início marcado com um carimbo e depois, quando domina o traço, riscado no barro. A personalidade muito viva, comunicativa e direta da artesã cativou os seus apreciadores das mais diversas áreas, políticos, intelectuais e artistas, promovendo a sua notoriedade. E a sua casa estava aberta a todos os que queriam testemunhar a sua criatividade. Tornou-se um símbolo acarinhado pelo Antigo Regime que valorizava as manifestações de Arte Popular como formas de propaganda e de construção de uma identidade nacional, que se pretendia idealizada e pitoresca. Foi premiada, agraciada e o interesse pela sua obra mantém-se muito além da sua morte, aos 89 anos, a 24 de setembro de 1977.  


sexta-feira, 30 de abril de 2021

CORES QUE FAZEM SENTIDO - laranja

 

Serviço de café

Porcelana “bone china”, decoração estampada e dourado

Copeland, Inglaterra, 1875-1890


Serviço de café com decoração estampada, a cor-de-laranja sobre branco e orla dourada. O conjunto é composto por um tabuleiro, um açucareiro, oito chávenas, com os respetivos pires e colheres.

O tabuleiro, de borda lobulada recriando as pétalas de uma flor, podia ser usado para dispor e servir canapés ou pequenos doces que acompanhavam o café. O açucareiro, em forma de campânula invertida, possui uma tampa cuja pega, oval, é pintada a dourado. As chávenas são cilíndricas, com asa, e os pires, diminutos, contrastam com as colheres, brancas ornadas a dourado.

A decoração, de inspiração chinesa, representa uma paisagem com um salgueiro inclinado à beira rio, uma casa de chá e um pavilhão à esquerda, uma embarcação, uma ilha e dois pássaros voando. A porcelana que chega à Europa da China, em maior quantidade a partir do século 17, associava a beleza ao requinte e possuía uma resistência e durabilidade nunca vistas e que sempre se tentou imitar. A própria China, então pouco conhecida e exótica, exercia um enorme fascínio no Ocidente, originando no século 17 um tipo de decoração designado “Chinoiserie” que marcou as Artes Decorativas europeias e se popularizou até ao século 19. Este termo afrancesado identifica a produção europeia de temas chineses, adaptados ao gosto ocidental numa interpretação mais fantasiosa do que realista. Deste modo, nos meados do século 18, as primeiras porcelanas fabricadas na Inglaterra procuraram reproduzir os padrões da cerâmica azul e branca chinesa. Esta tendência acentua-se ainda mais a partir de 1750, quando a adoção da técnica da estampagem que veio revolucionar toda a indústria cerâmica, garantindo o aumento da produção a um custo mais acessível.

É precisamente este “mandarin pattern” associado ao gravador Thomas Minton, cerca de 1780, um dos primeiros padrões a ser utilizado por Josiah Spode, empresário e fabricante de loiça, de Staffordshire. Entre 1781 e 1784, foi ele o responsável pela introdução naquela localidade da técnica de impressão ou de estampagem, método industrial que vem simplificar e agilizar os processos de decoração cerâmica, amplamente usados na disseminação e reprodução deste e de outros padrões seus derivados. Simultaneamente foi ele ainda quem, cerca de 1796, aperfeiçoou e ultimou a pasta inglesa “bone-china” usada neste serviço e que é um tipo de porcelana branda, em cuja composição entram as cinzas de ossos.

A marca impressa neste conjunto, era utilizada entre os anos de 1875 e 1890, pela W. T. Copeland & Sons, empresa que resulta da fusão de duas outras, a de William Taylor Copeland (1765-1826) e a do célebre fabricante Josiah Spode I (1733-1797), de quem herda este preciso padrão. Neste último quartel do século 19 já era sentida a necessidade de inovar, de apresentar novos padrões decorativos, com outras inspirações e novas cores, assim ao azul, somaram-se primeiro o preto, o castanho, o verde, o multicolorido, o cinzento e só mais tarde o rosa e o laranja. 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

CORES QUE FAZEM SENTIDO - vermelho


 Jarro Caça

Barro vidrado a vermelho

W. Schiller & Sohn, Boémia, ca. 1860-1890

Hunting jug é um jarro cuja decoração é baseada no tema da caça. A caça é um tema antigo na pintura, na escultura e nas artes decorativas, mas ao testemunhar uma atividade desportiva e de lazer restrita à aristocracia torna-se particularmente popular no século 18, tal como no século seguinte quando se abre à classe média Na cerâmica as cenas de caça surgem em peças utilitárias, mas também em peças decorativas oferecidas ou apresentadas como troféu após uma caçada.
Existem diferentes jarros desta tipologia, entre os quais este, da coleção da Casa-Museu Frederico de Freitas, em cerâmica relevada, em que o corpo exibe as presas da caça penduradas - lebres, coelhos, gansos, outras aves e raposa - e a asa é em forma de cão - o galgo. A mais antiga referência encontrada para este modelo de jarro, remonta aos inícios do século 19, à fábrica de Isleworth, de Joseph Shore, na Inglaterra. O modelo foi muito difundido durante os séculos 19 e 20, por diferentes países, diferindo as pastas, as cores e alguns elementos decorativos. Em Portugal, a Vista Alegre ainda produz exemplares brancos, em biscuit, e nas Caldas da Rainha foi fonte de inspiração para algumas produções em vistosa faiança colorida. Este jarro, coberto de vidrado fosco, de um intenso tom de vermelho, foi realizado na fábrica W. Schiller & Sohn, localizada em Obergrund, Boémia, atual República Checa, a laborar entre 1850 e 1914. É de realçar que os exemplares monocromos são geralmente mais sóbrios, com uma decoração mais detalhada, sendo especialmente vistosos os de cor vermelha, pela sua forte tonalidade ligada à cor do sangue e por isso mais adequada ao tema da caça que ilustra, ou simplesmente por esta ser a cor do prazer associada aos sentidos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

As abelhas na Casa

                                                                   

Jarro, faiança, Portugal, Secla, século 20.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

terça-feira, 14 de abril de 2020

China Bule de vinho, século 19, em porcelana branca decorada com esmaltes policromos.


Bule de vinho, China, século 19, em porcelana branca decorada com esmaltes policromos. Este exemplar da Casa-Museu Frederico de Freitas reproduz um modelo do período Kangxi (1662-1722), e tem a forma do caractere Shou que representa a longevidade. Conhecem-se outros dois formatos de bules desta tipologia relativos aos caracteres, Fu da prosperidade e Lu do sucesso.

A busca da longevidade teve sempre um papel importante na China. Estava associada ao respeito pelos mais velhos, à procura individual de uma vida longa e ao culto da imortalidade, conceitos fundamentais do confucionismo e do taoismo que se expressam nas artes decorativas.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Chocolate quente ?


Peça da esquerda pertencente à nossa coleção de cerâmica: 
Chocolateira, China, porcelana de encomenda, séc. XVIII.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Que tal um chocolate quente para o lanche?


Peça da esquerda pertencente à nossa coleção de cerâmica: chocolateira, China, porcelana de encomenda, séc. XVIII.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013


Serviço de chá Prata Ourives José de Matos Viegas, Portugal, Porto, Século XX (ca. 1920-1937)

Pratos Faiança Inglaterra, século XIX-XX

Colheres Prata Ourives José Dias Ribeiro, século XX (ca. 1912-1937)