quarta-feira, 5 de janeiro de 2011



A CASA-MUSEU FREDERICO DE FREITAS associa-se às festividades de Natal, procurando retomar e incentivar a tradição da ronda pelas lapinhas. Com esse intuito montou, com peças do seu acervo em reserva, dois presépios tradicionais que valorizam o percurso da visita à CASA DA CALÇADA.

A partir do século XVIII afirmam-se na Madeira duas tipologias específicas de presépios, as rochinhas ou lapinhas e as escadinhas, que evoluem ao longo do século XIX, até aos nossos dias.

As rochinhas quando eram realizadas à escala miniatural podiam abrigar-se em caixas envidraçadas, mas quando eram armadas com peças e cenários de maiores dimensões, chegavam a ocupar uma sala, compondo uma paisagem à imagem da Ilha. Reconstituíam-se os socalcos montanhosos, semeados de vegetação e cortados por linhas de água, distribuíam-se as personagens religiosas em pacífica e alegre convivência com as figuras do quotidiano regional. Todos convergiam para a gruta onde se abrigava São José, a Virgem e o Menino, núcleo central de toda a composição.

Um grande presépio de rochinha ocupa o espaço do JARDIM DE INVERNO, reunindo em redor da Sagrada Família uma série de cenas e de personagens realizadas nos séculos XVIII e XIX, em barro policromado, e que narram a história do Nascimento. A Visitação, os Pastores, a Cavalgada dos Reis Magos, a Fuga para o Egipto, o Massacre dos Inocentes, Jesus entre os Doutores, são os episódios religiosos que se encontram representados à maneira dos antigos conjuntos que permitiam reviver, passo a passo, a infância de Cristo, e que mais raramente podiam abranger a sua vida adulta até à Ressurreição.

Não faltam os figurantes regionais, com camponeses que se deslocam em direcção à gruta, ou que se mantêm ocupados nos seus afazeres quotidianos, a matança do porco, o sapateiro, os transportes de palanquim e de corça, o convívio entre religiosos e a tradição conventual do Menino Perdido, são alguns dos personagens que nos reportam aos antigos costumes locais.

Na SALA DO CHÁ encontra-se a escadinha, encimada pela belíssima imagem em madeira policromada, do século XVIII, do Menino Jesus enquadrada por um arco florido. Searinhas, frutas, pequenos pães (brindeiros), animais de barro, uma pequena imagem de São Pedro e figuras do quotidiano regional ocupam os diferentes degraus da escada e enriquecem o conjunto.

As escadinhas difundem-se a partir do século XVIII. Singelos mas encantadores estes presépios eram armados como pequenos altares, sobre mesas engalanadas. Para formar os diferentes degraus, nos meios rurais, eram usadas antigas medidas de cerais. O seu objectivo é a entronização da imagem do Menino Salvador que abençoa o mundo.

A visita de Natal à CASA-MUSEU FREDERICO DE FREITAS culmina com a passagem pela SALA DE JANTAR, onde se encontra posta a mesa de Natal. A toalha bordada, as loiças, os cristais e as pratas, tudo se conjuga, reluz e brilha, na antecipação da quadra festiva tornando esta visita uma oportunidade única de apreciar a CASA DA CALÇADA engalanada para a FESTA.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Natal 2010






O Ateliê Vamos Desembrulhar e Guardar o Nosso Natal explora parte do acervo do Museu e um conjunto de actividades lúdicas e no âmbito das diferentes expressões que confronta os usos e os costumes do Natal no passado e no presente, na Região e no Estrangeiro.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Exposição Temporária




Martha Telles

A terceira de cinco irmãos, Martha Telles nasceu na Rua da Carreira a 19 de Agosto de 1930 no Funchal. Filha do madeirense, advogado e filantropo Alexandre da Cunha Telles e da cantora lírica dinamarquesa Wera Cohen da Cunha Telles, tirou o curso de Pintura na Escola Superior do Porto nos finais dos anos cinquenta.
Depois de correr mundo, desde a Europa aos Estados Unidos, realizou diversas exposições tendo sido a primeira em Copenhague. Foi bolseira da Fundação Gulbenkian em Paris e frequentou a Sorbonne. Estudou com a pintora Vieira da Silva e conviveu com Jorge Martins e José Escada. Percorreu a Dinamarca, a Itália, o México; exerceu funções docentes em Lisboa e Moçambique. Viveu em Bruxelas, onde reside actualmente a sua única filha. Naturalizou-se canadiana em 1974, vindo a falecer no dia 21 de Fevereiro do ano 2001.

A presente exposição resulta da cedência temporária de 31 obras da artista à Região Autónoma da Madeira e encontra-se patente ao público no mesmo horário do Museu, com entrada gratuita.

A Casa-Museu Frederico de Freitas




Recebido o legado e ciente da importância de manter o acervo exposto no local onde havia sido reunido, o executivo regional adquiriu a Casa da Calçada. Foram então encetadas importantes e profundas obras de recuperação que obedeceram a um projecto da responsabilidade dos arquitectos Maria João Almada Cardoso e Gastão Salgado da Cunha, a executar em duas fases distintas.
Um grande esforço foi feito na adaptação da antiga habitação às novas exigências museológicas de uma Casa-Museu: definiram-se áreas de funções diferenciadas, resolveram-se percursos; seleccionaram-se peças em função da sua qualidade, beleza ou interesse específico, recolheram-se outras a fim de valorizar e facilitar as leituras, garantindo também uma melhor segurança. Beneficiaram-se as condições de exposição com a abertura de novos vãos para entrada de luz e para instalação de vitrinas de apres A Casa-Museu abriu as suas portas pela primeira vez ao público a 29 de Junho de 1988.
Em Junho de 1996 começou a execução da segunda fase da Casa-Museu Frederico de Freitas que, na sua totalidade, permitiu a quase duplicação da área de pavimento inicial e a renovação e reabilitação de 700 m2 de jardins. Foi construída de raiz a Casa dos Azulejos, destinada à Exposição Permanente de Azulejaria e que integra as Reservas e Oficina de Azulejos, um Auditório com capacidade de 50 lugares e uma Cafetaria. Toda esta nova área é servida por um elevador, o que permite um fácil acesso aos deficientes motores.
Foi ainda restaurada e ampliada a Casa da Entrada, onde funcionam a Portaria e os Serviços de Educação e de Animação da Casa-Museu. Foram também concluídas obras no edifício antigo, a Casa da Calçada, que levaram à abertura de três novas áreas de exposição permanente e à recuperação de outras zonas de Serviços do Museu. Esta última fase foi inaugurada a 30 de Setembro de 1999.
Desde 2002 a Casa-Museu, à semelhança de todos os Museus tutelados pela DRAC, integra a Rede Portuguesa de Museus.

O Coleccionador




No início dos anos 40 a Casa da Calçada foi arrendada pelo Dr. Frederico de Freitas, prestigiado advogado e notário madeirense, com relevante desempenho no âmbito das Artes e Cultura locais.
O Dr. Frederico Augusto de Freitas nasceu a 15 de Dezembro de 1894 e faleceu em 27 de Novembro de 1978. Fez parte dos corpos directivos da Sociedade de Concertos da Madeira, desde a sua fundação em 1943. Dos anos 30 à década de 70, integrou as comissões organizadoras e executivas de prestigiadas exposições que se realizaram no Funchal, relacionadas com os mais variados temas de Arte e Cultura. Merece especial realce o seu desempenho na organização da 1ª Exposição de Gravuras da Madeira realizada em 1934, no Casino Vitória e que deu origem ao livro Estampas Antigas da Madeira, editado em 1935, pelo Clube Rotário do Funchal e de uma outra ocorrida em 1949, no Museu Quinta das Cruzes, de que resultou uma outra publicação intitulada Estampas Antigas de Paisagens e Costumes da Madeira, da autoria do Dr. Leite Monteiro, editada em 1951. Desses memoráveis eventos são ainda de destacar a Exposição de Esculturas Religiosas, apresentada no convento de Santa Clara, em Junho de 1954; a Exposição de Porcelanas Companhia das Índias que decorreu entre Setembro e Outubro de 1960, no Museu da Quinta das Cruzes e, organizada pela Academia de Música e de Belas Artes da Madeira na sua sede à Rua da Carreira 65, a de Cadeiras inglesas, patente ao público em Junho de 1971.
Membro da Comissão Directiva do Museu Quinta das Cruzes, em 1973 e fundador do Clube Rotário do Funchal, o Dr. Frederico de Freitas teve reconhecida acção benemérita no Convento de Santa Clara e Escola Salesiana de Artes e Ofícios, sendo-lhe concedida pelo Presidente da República a Comenda da Ordem de Benemerência, a 5 de Julho de 1971.
Amante e apreciador de peças de arte começa a constituir a sua colecção a partir dos anos 30, mas é após a mudança para a ampla moradia da Calçada que mais livremente manifestou a sua vocação de coleccionador que o levou a reunir, ao longo de mais de três décadas, importantes núcleos de Escultura, Pintura, Gravura, Mobiliário e Cerâmica.
A partir da Casa, intensamente vivida por um núcleo familiar alargado de que restam interessantes e diversificadas lembranças, o Dr. Frederico de Freitas deixou uma estreita teia de ligações, com individualidades locais e também com visitantes nacionais ilustres, alguns especialistas como o Eng.º Santos Simões, Bernardo Ferrão, só para citar dois nomes de referência nos domínios da azulejaria, mobiliário e arte indo-portuguesa. São estas memórias que nos mostram um homem interessado, com responsabilidades e papel activo em vários domínios da vida pública regional, mas também um estudioso atento que reúne publicações e documentação sobre as peças que colecciona e que procura, a partir dos contactos com especialistas de diferentes áreas, manter-se informado no que ao estudo e produção artística respeita.
Outra faceta que o caracteriza é o gosto em mostrar, apreciar e partilhar com terceiros cada objecto adquirido, falar e dar a conhecer cada particularidade descoberta. É este envolvimento com as colecções, espírito de generosidade e um profundo afecto pela sua terra que determina, em 1978, a decisão de legar à Região Autónoma da Madeira o seu património mobiliário que constitui recheio da sua residência.